Alepe instala Frente em Defesa da UPE e debate desafios da universidade pública
Estudantes, professores e técnicos administrativos foram ouvidos na reunião de instalação da Frente Parlamentar em Defesa da Universidade de Pernambuco (UPE), nesta terça (17). O novo grupo parlamentar busca articular o Parlamento em torno do fortalecimento da instituição de ensino.
Coordenadora da Frente, a deputada Rosa Amorim (PT) destacou os principais desafios enfrentados pela comunidade acadêmica da UPE: a assistência estudantil (abrangendo moradia, transporte e alimentação); a implementação de um plano de cargos e carreiras tanto para docentes quanto para técnicos; e a melhoria da estrutura universitária.
A parlamentar ressaltou que a principal pauta da Frente é garantir a autonomia financeira da UPE. Segundo ela, em persos estados do país, universidades já conquistaram mais estabilidade orçamentária por meio do sistema de duodécimos, que assegura repasses mensais automáticos, e afirmou que Pernambuco precisa avançar nesse sentido.
“Não se trata apenas de criar um espaço institucional, mas de construir um canal permanente de escuta, articulação e incidência política em defesa da universidade pública”, acrescentou Rosa Amorim.
Entidades
Uma das convidadas ouvidas foi Terezinha Lucas, representante da Seção Sindical dos Docentes da Universidade de Pernambuco (Adupe).
Ela afirmou que, ao longo de 2025, os profissionais de ensino realizaram tentativas de diálogo com a governadora Raquel Lyra e elaboraram a minuta de um projeto de lei, a pedido do próprio governo. Entretanto, não houve avanço. “A governadora Raquel Lyra tem desdenhado do servidor. O secretariado sequer responde os nossos ofícios. Estamos em uma situação de penúria”, disse.
Temendo que o período eleitoral seja usado como justificativa para travas essas demandas, Terezinha pediu à Frente que articule uma reunião com a governadora até meados de abril. O pleito foi apoiado por Rivanildo Simplício, representante do Sindicato dos Servidores da UPE (Sindupe).
Simplício denunciou as condições enfrentadas pelos técnicos administrativos da universidade, destacando a falta de incentivo à carreira, a sobrecarga e os baixos salários. “A gente vem perdendo todos os dias servidores da UPE para iniciativa privada porque as remunerações são de fazer vergonha para uma Universidade que produz tanto para o Estado de Pernambuco”, disse.
Representantes do corpo estudantil também marcaram presença. Geovana Vitória, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), relembrou a pressão popular para que, em 2010, a UPE se tornasse gratuita. “Como é que a gente tem uma universidade democrática, gigante, capilarizada e desenvolvida, mas que ainda tem tantos problemas latentes e estruturais?”, questionou.
Em seguida, Vitória Tetéas, do Diretório Acadêmico da UPE, reforçou o compromisso coletivo com a preservação e o fortalecimento da Universidade. “Sabemos que a universidade pública nunca foi apenas um espaço de formação, pois além de tudo, ela produz pensamento crítico. Então, é nesse processo que a gente vem aqui defender a Universidade”.
Parlamentares
Dani Portela (PSOL) relatou visitas aos campi da UPE e disse que, se antes a principal luta dos estudantes era o acesso à universidade, hoje o desafio também é garantir sua permanência, devido a desigualdades de renda, transporte e alimentação.
Ela mencionou que destinou uma emenda ao campus de Palmares (Mata Sul) para melhorar a locomoção dos alunos. Segundo a parlamentar, limitações orçamentárias têm prejudicado a assistência estudantil.
“A UPE tem avançado na assistência estudantil, mas por questões orçamentárias, não consegue avançar mais. Então, é importante que a gente pense no avanço das políticas de assistência estudantil porque isso ajuda a manutenção dos estudantes nesse lugar”, afirmou.
A democratização do acesso de alunos à UPE e obras anunciadas pelo Governo do Estado no campus de Caruaru (Agreste Central) foram pontos trazidos pelo deputado Jarbas Filho (MDB).
“A UPE é a universidade mais democrática que temos. Não só pela presença em todas as regiões, mas também pelo seu modelo de vestibular, o modelo seriado. A cada dez alunos prestando vestibular, sete são da rede pública do Estado. A UPE precisa ser ocupada por eles”, pontuou.
João Paulo (PT) e Luciano Duque (Solidariedade) se disponibilzara para participar dos trabalhos da Frente.
“A gente tem que olhar a questão da Universidade sob uma perspectiva de classe e soberania nacional, sob o domínio do conhecimento e da nossa independência”, argumentou João Paulo. “É preciso ter um cuidado maior com essa instituição de ensino tão importante”, completou Duque.
Encaminhamentos
Como encaminhamento da reunião, Rosa Amorim anunciou a realização de um seminário no dia 7 de abril, no Auditório Ênio Guerra (4º andar do Anexo II da Alepe), para debater a autonomia financeira das universidades e o sistema de duodécimos. Após o evento, também serão promovidos ciclos de escuta nos campi da UPE, com o objetivo de dialogar diretamente com a comunidade acadêmica e aprofundar o levantamento de demandas.