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Comissão de Saúde debate prevenção e tratamento da doença de Chagas

A Comissão de Saúde da Alepe realizou, nesta quinta (9), uma audiência pública para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença de Chagas, enfermidade ainda considerada negligenciada no Brasil. Transmitida principalmente pelo inseto conhecido como barbeiro, a doença de Chagas é uma infecção causada pelo parasita trypanosoma cruzi e pode evoluir de forma silenciosa por anos, atingindo órgãos como o coração e o sistema digestivo. A enfermidade afeta sobretudo pessoas em situação de vulnerabilidade social, com menor acesso a moradia adequada, informação e serviços de saúde, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento. O encontro foi proposto e presidido pelo deputado Rodrigo Farias (PSB), que destacou a necessidade de ampliar a notificação dos casos e fortalecer políticas públicas voltadas ao enfrentamento da doença, especialmente entre as populações mais vulneráveis.  “Pernambuco é considerado uma área endêmica e de alta prevalência na transmissão da doença de Chagas. Os dados mostram que o vetor está presente por meio das condições socioeconômicas que, em parte do território, facilitam a permanência. Ainda não há registros oficiais que digam com precisão quantos pernambucanos vivem com a doença”, afirmou.     Diagnóstico A representante do projeto Integra Chagas Brasil, Eliana Amorim de Souza, apresentou resultados expressivos das ações desenvolvidas no município de Iguaracy (Sertão do Pajeú), destacando avanços no enfrentamento da doença em áreas rurais.  A iniciativa, financiada pelo Ministério da Saúde, tem como foco ampliar o acesso ao diagnóstico, ao cuidado contínuo e à informação. A ideia é definir um fluxo de tratamento e prevenção que sirva como parâmetro para o combate à doença, usando os dados obtidos em municípios das regiões Nordeste e Centro-Oeste, onde há maior incidência de Chagas.  Segundo Souza, em Iguaracy, foram realizados 6.465 testes rápidos, cobrindo cerca de 60% da população, com resultado em até 15 minutos, o que eliminou a necessidade de envio de amostras para centros maiores. Desse total, 562 casos seguiram para confirmação por sorologia. A estratégia resultou em um aumento significativo na detecção da doença. De acordo com a representante do Integra Chagas, a taxa de mortalidade por causa da enfermidade no município chega a 11%, acima da média nacional, e há subnotificação dos registros de óbito: algumas certidões contém causa da morte como “aumento do coração por cardiopatia”, por exemplo, sem mencionar que isso ocorreu em decorrência da doença.  Para Eliana Amorim de Souza, os dados também revelam desafios sociais importantes: 62% das pessoas diagnosticadas não concluíram o ensino fundamental, e muitos pacientes sabiam da condição, mas não tiveram acesso ao tratamento adequado.  Ainda de acordo com a representante, o projeto integrou ações de saúde, educação, assistência social e meio ambiente, com foco na atenção primária e na criação de uma linha de cuidado estruturada para os pacientes. Mais de 10 mil materiais educativos foram produzidos, reforçando a importância da informação e da mobilização social. Prevenção Representante do Conselho Estadual de Saúde, José Felipe Pereira questionou a aplicação dos recursos orçamentários da saúde em Pernambuco. Ele cobrou mais investimentos em prevenção, como melhoria nas habitações, pontuando que há excesso de foco na criação de novos hospitais e negligência no cuidado básico às populações mais vulneráveis.  “É preciso que parte desses bilhões vá para prevenção, sob pena de a gente sempre estar construindo hospitais para uma população adoecida. Se não cortarmos a cadeia de transmissão, vamos estar sempre com números alarmantes. É uma aberração um município ter 11% da sua população assassinada pela doença de Chagas”, exclamou. A médica Cristina Carrazzone destacou que o ambulatório da Casa de Chagas, ligado ao Procape, acompanha mais de mil pacientes e surgiu a partir da alta demanda de casos graves vindos do interior desde os anos 80. Segundo ela, a evolução do serviço mostrou a necessidade de descentralizar o atendimento.  “Acho que Pernambuco está em um momento muito interessante de descentralização. Vamos unir forças para descentralizar e chegar lá na ponta. É inadmissível que um paciente tenha que fazer 12 horas de viagem para realizar um eletrocardiograma”, pontuou.  O diretor de Vigilância Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde, Eduardo Bezerra, destacou que Pernambuco tem proposto estratégias para descentralizar o diagnóstico e integrar vigilância e atenção primária às populações vulneráveis.
09/04/2026 (00:00)

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