Relatório aponta que credenciais de servidora do MPF do MA foram usadas ao menos cinco vezes por grupo ligado a Vorcaro
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Sede do Ministério Público Federal no Maranhão (MPF-MA) em São Luís — Foto: Divulgação/MPF-MA As credenciais de uma servidora do Ministério Público Federal no Maranhão foram usadas, ao menos cinco vezes, por aliados do banqueiro Daniel Vorcaro, para acessar documentos sigilosos de investigações que apuravam irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A informação consta em um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Maranhão no WhatsApp O MPF-MA informou que a servidora Alina Franco Boueres de Araújo foi vítima de phishing, golpe utilizado para obter indevidamente senhas e outras informações de acesso. Segundo relatório enviado ao STF, dados restritos foram extraídos diretamente dos sistemas do MPF por aliados de Vorcaro antes da deflagração da Operação Compliance Zero. O relatório que aponta o uso indevido das credenciais se tornou público após o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de documentos relacionados às investigações do caso Master. A decisão ocorreu após solicitação do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, em meio à crise envolvendo as investigações. LEIA MAIS: Caso Master: veja diálogos obtidos pela PF que mostram que grupo de Vorcaro tinha acesso a investigações do Ministério PúblicoEm documento, PF detalha articulações de Vorcaro dias antes de ser preso e aponta que banqueiro sabia da operação Como foram os acessos Vorcaro teve acesso a dados sigilosos do MPF, diz PF A primeira consulta buscava informações sobre notícias-crimes apresentadas pelo jornalista Vladimir Timmerman, que havia publicado informações relacionadas ao banqueiro. O login da servidora também foi utilizado em outras ocasiões, nos meses de março, junho e julho de 2024. Em uma das mensagens trocadas por Mourão e Daniel Vorcaro, o aliado do banqueiro chega a enviar, de uma única vez, seis documentos todos classificados como sigilosos. Segundo a Polícia Federal, Alina Boueres integra o quadro do Ministério Público Federal do Maranhão desde 2006 e, à época dos acessos, era lotada no gabinete do procurador da República Marcílio Nunes Medeiros. Uso de credenciais de servidores No parecer, a PF enfatiza que o uso recorrente dos logins de um servidor e da servidora do MPF não comprova, por si só, que os servidores tinham conhecimento ou participação voluntária no esquema de vazamento de dados. O relatório registra que as credenciais foram exploradas reiteradamente para violar a custódia das investigações, ressalvando que as extrações podem ter ocorrido "com ou sem participação consciente" dos titulares dos acessos funcionais, hipótese que permanece sob apuração.